Capítulo 28 – A Quinta Bruxa

Durante as nossas expedições através dos portais no acampamento abandonado do Gerês, já havíamos encontrado o covil de quatro das Bruxas da Noite. Não que isso nos tivesse ajudado a pará-las ou sequer a perceber quais eram os seus objetivos. A única coisa que sabíamos era que elas não nos queriam envolver nem que nós nos envolvêssemos.

Contudo, faltava-nos encontrar a quinta bruxa, pelo que ainda havia hipóteses de obtermos respostas, apesar de estarmos a chegar ao fim dos portais no acampamento abandonado.

Eventualmente, tivemos sorte, se se pode usar essa palavra para descrever o que aconteceu.

Como havíamos feito tantas vezes antes, atravessámos um dos portais e, num instante, encontrámo-nos num sítio completamente diferente. Estávamos entre as ruínas do que parecia ter sido um castelo, no topo de um pequeno planalto. Uma muralha baixa, que claramente havia sido reduzida com o passar dos anos, rodeava o amplo espaço onde nos encontrávamos, que estava pejado com o que restava dos alicerces de edifícios há muito desaparecidos. Reconheci de imediato que aquele era o castelo de Castro Laboreiro, pois já o havia visitado várias vezes.

Como sempre, começámos de imediato a investigar o local, procurando por qualquer indício das Bruxas da Noite ou dos seus servos.

Tinham passado menos de cinco minutos quando, de súbito, ouvimos um estrondo distante, semelhante a um trovão. Contudo, o céu estava limpo, pelo que de imediato descartámos a possibilidade de ser uma trovoada.

Um grito de um dos soldados que nos acompanhava alertou-nos para um ponto no céu que se aproximava. Este rapidamente se transformou em cinco figuras de negro encapuzadas.

A uma ordem de Almeida, os soldados apontaram-lhes as espingardas. Não fez grande diferença. Antes de ficarem ao alcance das armas, cada Bruxa da Noite lançou uma bola de chamas a alta velocidade contra nós. Mal tivemos tempo para nos agacharmos atrás das muralhas e muros em ruínas antes de estas atingirem o topo do planalto.

Explosões deflagraram à nossa volta, espalhando chamas e lançando terra e pedras em todas as direções. Alguns soldados caíram, consumidos pelo fogo ou atingidos por estilhaços. E o bombardeamento continuou, com as Bruxas da Noite a lançarem uma torrente avassaladora dos feitiços explosivos, não dando oportunidade aos soldados de responderem. Só havia uma coisa que Almeida podia fazer:

– Retirar! – gritou ele.

Fazendo os possíveis para evitar as explosões à nossa volta, eu, Almeida e os soldados sobreviventes corremos em direção ao portal, esperando que este ainda lá estivesse. Tal era a intensidade do bombardeamento, que não tínhamos hipótese de ajudar os feridos, e quem tentou foi imediatamente derrubado.

Com grande alívio, consegui chegar ao portal incólume e, instantaneamente, encontrei-me no acampamento abandonado, longe do que claramente havia sido uma armadilha das Bruxas da Noite. Almeida surgiu logo depois, coxeante, provavelmente atingido por um estilhaço.

Dos quinze soldados que nos tinham acompanhado, só dois regressaram. Infelizmente, não atravessaram o portal sozinhos. No seu encalço surgiram, uma a uma, as Bruxas da Noite.

Estas elevaram-se imediatamente acima dos homens da Organização que guardavam e estudavam o acampamento abandonado e começaram a lançar as suas bolas de chamas. Os soldados responderam com as espingardas automáticas, mas as criaturas voavam demasiado alto e rápido para as conseguirem atingir.

Homens e equipamento foram envolvidos e destruídos por explosões flamejantes.

Sem poder fazer mais nada, abriguei-me atrás da árvore com o tronco mais largo que encontrei e esperei desesperadamente não ser atingido.

Embora tivesse parecido mais tempo, o meu relógio mostrou que o ataque não durou nem dez minutos. Quando terminou, toda a infraestrutura — tendas, computadores, veículos, etc. — da Organização tinha sido destruída, e mais de dois terços dos seus efetivos jaziam mortos.

Almeida sobrevivera, se bem que ficara com um braço severamente queimado. Só eu e mais duas pessoas tivemos a sorte de escapar incólumes.

As Bruxas da Noite tinham desaparecido pelo portal, e ninguém se atrevera a persegui-las. Era óbvio que aquele ataque fora uma resposta à nossa intromissão nos assuntos delas.

Almeida, apesar dos seus ferimentos, começou de imediato a restabelecer a ordem. Chamou helicópteros para evacuar os feridos e, em seguida, um para me levar de volta a Braga.

Passei a viagem a pensar no que aquele ataque significava para a investigação da Organização às Bruxas da Noite. Almeida não se pronunciou sobre o assunto e, dada a situação, não lhe perguntei. Também duvido que tivesse uma resposta para me dar na altura. Só o tempo a traria.

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